RESOLUÇÃO DA DIREÇÃO NACIONAL DA UJS | Novembro de 2016
NOTA:
O mundo está em ebulição. Os povos de todas as nações buscam respostas para a crise econômica perpetrada pelo colapso do mercado financeiro internacional. O resultado do plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia – com a vitória do Brexit – e a recente eleição de Donald Trump, com um discurso altamente conservador e antiliberal, dá alguns sinais do rumo ao qual a conjuntura internacional está apontando.
A crise mundial do capitalismo em curso não encontra saídas progressistas por ora, e por isso promove enormes retrocessos aos trabalhadores. O discurso falacioso da globalização fica evidente na crise humanitária vivida na guerra da Síria, no qual os refugiados não encontram abrigos nas potências europeias. O confronto civil – promovido e estimulado por forças imperialistas – se arrasta por anos atingindo milhões de pessoas.
A agenda regressiva promovida pelo neoliberalismo consuma-se no Brasil a partir do golpe colocado por um processo de impeachment fraudulento. Desde o resultado das eleições presidenciais de 2014 a União da Juventude Socialista denuncia a movimentação dos setores golpistas aliados a interesses estrangeiros e ao capital especulativo. Sem surpresas, os motivos do golpe ficaram evidentes poucas semanas após o afastamento definitivo de Dilma Roussef. O discurso moralista da corrupção promovido intensamente pelos veículos de comunicação cessaram ao atingir a equipe de governo de Michel Temer. Ao mesmo tempo, as iniciativas para impor os interesses daqueles que promoveram o golpe foram aceleradas. A PEC de Teto dos Gastos é a síntese disso: representa a imposição de um regime neoliberal para o Brasil como a única saída para a crise política. A reação das elites econômicas é fazer com que os pobres e trabalhadores paguem pela crise que elas mesmas criaram. Ao invés de taxar as grandes fortunas, realizar a auditoria da dívida pública e diminuir a Taxa Selic para reduzir o gasto com juros no orçamento, preferem congelar os investimentos em saúde e educação pública e, ainda, promover uma reforma da previdência.
O que não conseguiram fazer nas urnas -aprovar um programa de Estado Mínimo– tentam agora promover na marra com a criminalização dos movimentos sociais. O fim da obrigatoriedade da Petrobras na atuação dos campos de petróleo do pré-sal e, consequentemente, o fim do regime de partilha, é uma afronta aos interesses nacionais e evidencia o entreguismo desses setores.
Não é a toa que a Petrobras foi a primeira a ser atingida: o epicentro da crise política em curso no Brasil é a Operação Lava Jato conduzida pelo juíz Sergio Moro, na qual se investiga os esquemas de corrupção na Petrobras. Informações do Wikileaks revelam a influência dos EUA, com treinamentos de juízes, promotores e policiais a partir do “Projeto Pontes”. Desse modo, as investigações atingem em cheio a capacidade econômica da Petrobras, principal condutora do desenvolvimento nacional brasileiro e grande parte da engenharia nacional, paralisando as atividades e cadeias produtivas e aprofundando ainda mais a crise econômica do país com desemprego. A Operação Lava Jato estabeleceu como regra a exceção. O direito à ampla defesa e a presunção de inocência foram rasgados pela arbitrariedade do Poder Judiciário, que arroga-se quase como o antigo Poder Moderador do Império, no qual extrapolava os limites da lei. O STF age como um guardião das arbitrariedades. O fim da presunção de inocência depois do transitado em julgado, o corte de ponto dos servidores em greve, a perseguição promovida pelo Ministério Publico contra os dirigentes das universidades e os movimentos sociais e a autorização de métodos de tortura (como cortar luz, água, uso sonoro continuo para privação de sono e até gás de cozinha) para garantir a desocupação de um colégio no Distrito Federal.
O desenvolvimento dessa situação cria um ambiente de instabilidade política e social, no qual movimentos sociais são alvos de operações policiais que abusam de autoridade com prisões preventivas injustificadas ou meras arbitrariedades, como a invasão à Escola Florestan Fernandes e as ações contra o MST. Contudo, o objetivo final desse conluio formado pela grande imprensa e o judiciário é prender Luís Inácio Lula da Silva e desarticular a resistência democrática contra o retrocesso. A prisão de Eduardo Cunha por sonegação fiscal em paraísos fiscais e propinas na Petrobras, veio apenas depois do desfecho final do impeachment, pois qualquer movimento antes poderia prejudicar a conclusão desse processo. Cunha é a síntese do absurdo do golpe: uma presidenta honesta sendo julgada por um corrupto. Enquanto Dilma goza sua liberdade, o seu inquisidor está na cadeia.
A resistência está nas ruas, escolas e universidades.
O resultado eleitoral das eleições municipais é reflexo da intensa campanha dos grupos midiáticos que criminalizam os partidos políticos e a esquerda. Contudo, desde o final das eleições, uma poderosa resistência carregada nas mãos e corações de jovens ascende no país. Em oposição ao golpe e suas iniciativas de reforma de ensino médio com a MP 746/16 e a PEC 55 (241 na Câmara), milhares de estudantes ocuparam suas escolas e universidades num ato em defesa da educação e de combate ao retrocesso. As medidas em curso colocam em risco a formação de milhares de jovens, ao passo que promove a liquidação do patrimônio público e, consequentemente, o desmantelamento da saúde e da educação. A recente conquista do PNE que prevê 20 metas para a educação, dentre as quais os 10% do PIB de investimento para esse setor, é uma conquista da nossa geração e deve ser o caminho para o nosso desenvolvimento social. Não será com cortes em investimentos públicos que diminuiremos as desigualdades.
A juventude resiste! A nova geração que ingressou na universidade no período recente mostra que não retrocederemos! A democratização do acesso com o REUNI, o ENEM e a reserva de vagas popularizou o ensino superior brasileiro com mais trabalhadores e trabalhadoras. São esses atores e atrizes que constroem as mais de mil ocupações por todo o país. Mesmo o movimento sendo invisibilizado pelo oligopólio midiático, as mobilizações nas escolas e universidades vêm crescendo dia a dia com uma pauta unificada: Fora Temer! Abaixo a PEC 55, a MP 476/16 e contra a lei da mordaça! A fragilidade do governo é notória ao tentar criminalizar as entidades estudantis e a UJS pelos custos do adiamento do ENEM, que foi feito de forma unilateral e sem diálogo. Enquanto tentam cobrar os eventuais “prejuízos” da reaplicação da prova, os gastos em cartões corporativos da equipe presidencial já ultrapassou os R$25 milhões desde que Temer assumiu a presidência. A prioridade é sufocar os movimentos de resistência e jogá-los na clandestinidade, a fim de tratá-los como casos de polícia.
Precisamos transformar as ocupações em espaços de amplitude, que levem o debate e o diálogo acerca dos retrocessos à sociedade em geral e busque a preservação dos direitos sociais e a retomada do desenvolvimento que garanta a geração de emprego e renda. Só assim derrotaremos os discursos falaciosos do governo e da imprensa.
Convocamos a militância da UJS e de todos os movimentos progressistas para a constituição de uma frente ampla para derrotar as iniciativas em curso. O movimento estudantil esteve nos principais momentos da história brasileira, da criação da Petrobras, da cadeia da legalidade, nas manifestações contra a Ditadura e pelas Diretas Já e na derrota da política neoliberal de Collor. É o momento de escrever a página de nossa geração e derrotar a PEC 55 no Senado!
As ocupações são as trincheiras da resistência! Fora Temer: Diretas Já!
São Paulo, 10 de novembro de 2016.
O mundo está em ebulição. Os povos de todas as nações buscam respostas para a crise econômica perpetrada pelo colapso do mercado financeiro internacional. O resultado do plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia – com a vitória do Brexit – e a recente eleição de Donald Trump, com um discurso altamente conservador e antiliberal, dá alguns sinais do rumo ao qual a conjuntura internacional está apontando.
A crise mundial do capitalismo em curso não encontra saídas progressistas por ora, e por isso promove enormes retrocessos aos trabalhadores. O discurso falacioso da globalização fica evidente na crise humanitária vivida na guerra da Síria, no qual os refugiados não encontram abrigos nas potências europeias. O confronto civil – promovido e estimulado por forças imperialistas – se arrasta por anos atingindo milhões de pessoas.
A agenda regressiva promovida pelo neoliberalismo consuma-se no Brasil a partir do golpe colocado por um processo de impeachment fraudulento. Desde o resultado das eleições presidenciais de 2014 a União da Juventude Socialista denuncia a movimentação dos setores golpistas aliados a interesses estrangeiros e ao capital especulativo. Sem surpresas, os motivos do golpe ficaram evidentes poucas semanas após o afastamento definitivo de Dilma Roussef. O discurso moralista da corrupção promovido intensamente pelos veículos de comunicação cessaram ao atingir a equipe de governo de Michel Temer. Ao mesmo tempo, as iniciativas para impor os interesses daqueles que promoveram o golpe foram aceleradas. A PEC de Teto dos Gastos é a síntese disso: representa a imposição de um regime neoliberal para o Brasil como a única saída para a crise política. A reação das elites econômicas é fazer com que os pobres e trabalhadores paguem pela crise que elas mesmas criaram. Ao invés de taxar as grandes fortunas, realizar a auditoria da dívida pública e diminuir a Taxa Selic para reduzir o gasto com juros no orçamento, preferem congelar os investimentos em saúde e educação pública e, ainda, promover uma reforma da previdência.
O que não conseguiram fazer nas urnas -aprovar um programa de Estado Mínimo– tentam agora promover na marra com a criminalização dos movimentos sociais. O fim da obrigatoriedade da Petrobras na atuação dos campos de petróleo do pré-sal e, consequentemente, o fim do regime de partilha, é uma afronta aos interesses nacionais e evidencia o entreguismo desses setores.
Não é a toa que a Petrobras foi a primeira a ser atingida: o epicentro da crise política em curso no Brasil é a Operação Lava Jato conduzida pelo juíz Sergio Moro, na qual se investiga os esquemas de corrupção na Petrobras. Informações do Wikileaks revelam a influência dos EUA, com treinamentos de juízes, promotores e policiais a partir do “Projeto Pontes”. Desse modo, as investigações atingem em cheio a capacidade econômica da Petrobras, principal condutora do desenvolvimento nacional brasileiro e grande parte da engenharia nacional, paralisando as atividades e cadeias produtivas e aprofundando ainda mais a crise econômica do país com desemprego. A Operação Lava Jato estabeleceu como regra a exceção. O direito à ampla defesa e a presunção de inocência foram rasgados pela arbitrariedade do Poder Judiciário, que arroga-se quase como o antigo Poder Moderador do Império, no qual extrapolava os limites da lei. O STF age como um guardião das arbitrariedades. O fim da presunção de inocência depois do transitado em julgado, o corte de ponto dos servidores em greve, a perseguição promovida pelo Ministério Publico contra os dirigentes das universidades e os movimentos sociais e a autorização de métodos de tortura (como cortar luz, água, uso sonoro continuo para privação de sono e até gás de cozinha) para garantir a desocupação de um colégio no Distrito Federal.
O desenvolvimento dessa situação cria um ambiente de instabilidade política e social, no qual movimentos sociais são alvos de operações policiais que abusam de autoridade com prisões preventivas injustificadas ou meras arbitrariedades, como a invasão à Escola Florestan Fernandes e as ações contra o MST. Contudo, o objetivo final desse conluio formado pela grande imprensa e o judiciário é prender Luís Inácio Lula da Silva e desarticular a resistência democrática contra o retrocesso. A prisão de Eduardo Cunha por sonegação fiscal em paraísos fiscais e propinas na Petrobras, veio apenas depois do desfecho final do impeachment, pois qualquer movimento antes poderia prejudicar a conclusão desse processo. Cunha é a síntese do absurdo do golpe: uma presidenta honesta sendo julgada por um corrupto. Enquanto Dilma goza sua liberdade, o seu inquisidor está na cadeia.
A resistência está nas ruas, escolas e universidades.
O resultado eleitoral das eleições municipais é reflexo da intensa campanha dos grupos midiáticos que criminalizam os partidos políticos e a esquerda. Contudo, desde o final das eleições, uma poderosa resistência carregada nas mãos e corações de jovens ascende no país. Em oposição ao golpe e suas iniciativas de reforma de ensino médio com a MP 746/16 e a PEC 55 (241 na Câmara), milhares de estudantes ocuparam suas escolas e universidades num ato em defesa da educação e de combate ao retrocesso. As medidas em curso colocam em risco a formação de milhares de jovens, ao passo que promove a liquidação do patrimônio público e, consequentemente, o desmantelamento da saúde e da educação. A recente conquista do PNE que prevê 20 metas para a educação, dentre as quais os 10% do PIB de investimento para esse setor, é uma conquista da nossa geração e deve ser o caminho para o nosso desenvolvimento social. Não será com cortes em investimentos públicos que diminuiremos as desigualdades.
A juventude resiste! A nova geração que ingressou na universidade no período recente mostra que não retrocederemos! A democratização do acesso com o REUNI, o ENEM e a reserva de vagas popularizou o ensino superior brasileiro com mais trabalhadores e trabalhadoras. São esses atores e atrizes que constroem as mais de mil ocupações por todo o país. Mesmo o movimento sendo invisibilizado pelo oligopólio midiático, as mobilizações nas escolas e universidades vêm crescendo dia a dia com uma pauta unificada: Fora Temer! Abaixo a PEC 55, a MP 476/16 e contra a lei da mordaça! A fragilidade do governo é notória ao tentar criminalizar as entidades estudantis e a UJS pelos custos do adiamento do ENEM, que foi feito de forma unilateral e sem diálogo. Enquanto tentam cobrar os eventuais “prejuízos” da reaplicação da prova, os gastos em cartões corporativos da equipe presidencial já ultrapassou os R$25 milhões desde que Temer assumiu a presidência. A prioridade é sufocar os movimentos de resistência e jogá-los na clandestinidade, a fim de tratá-los como casos de polícia.
Precisamos transformar as ocupações em espaços de amplitude, que levem o debate e o diálogo acerca dos retrocessos à sociedade em geral e busque a preservação dos direitos sociais e a retomada do desenvolvimento que garanta a geração de emprego e renda. Só assim derrotaremos os discursos falaciosos do governo e da imprensa.
Convocamos a militância da UJS e de todos os movimentos progressistas para a constituição de uma frente ampla para derrotar as iniciativas em curso. O movimento estudantil esteve nos principais momentos da história brasileira, da criação da Petrobras, da cadeia da legalidade, nas manifestações contra a Ditadura e pelas Diretas Já e na derrota da política neoliberal de Collor. É o momento de escrever a página de nossa geração e derrotar a PEC 55 no Senado!
As ocupações são as trincheiras da resistência! Fora Temer: Diretas Já!
São Paulo, 10 de novembro de 2016.
0 comentários:
Postar um comentário